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DE TANTO AMAR.

05-12-2012 04:17

DE TANTO AMAR.


 Deixei de ouvir os sons do arrebol,

E o aroma das flores de apreciar,

De curtir aure os tons do pôr-do-sol,

Deixei. Por ti deixei... de tanto amar.

 

 Olvidei de tanta crença, sonhos tantos,

Que me afastei de muita paixão antiga:

Leituras, preces, meditação, seus encantos,

Além da poesia – companheira e sempre amiga...

 

  E se, de tanto amar, a tanto renunciei,

Quero crer que posso hoje, sem amarras comentar,

O sonho equivocado de que enfim eu despertei,

Sufocante, egoísta e sedutor... de tanto amar.

 

Mas, no ciclo das paixões a mover-se novamente,

É inútil prevenir-me desta vã constatação:

Que razão e emoção são um misto incoerente,

Traduzido em amor... desvario... excitação...

 

 Pois agora a consciência, prudentemente me diz,

O mesmo que o coração insiste em me revelar:

Que de novo livre estou, p’ra ser ou não ser feliz,

Ou, para mais uma vez, me esvair... de tanto amar.

 

Adelino Guimarães.

 

 

 

 

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