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EFEITOS DE AMOR!...

09-12-2012 19:05

 EFEITOS DE AMOR.

 

Não sei Erislania o que tenho,

Depois que vi o teu rosto;

Pois, quando não és tu, Erislania,

Já não posso ver com gosto.

Noutra idade me alegrava,

Até quando conversava,

Com o mais rude vaqueiro;

Hoje, ó BELA, me aborrece,

Ainda o trato lisonjeiro,

Do mais discreto pastor,.

      Que efeitos são os que sinto?

      Serão efeitos de amor?

 

Saio da minha cabana,

Sem reparar no que faço!...

Busco o sítio onde moras,

Suspendo defronte o passo.

Fito os olhos na janela.

Onde Erislania, que és bela,

Tu chegas ao fim do dia.

Se alguém passa e te saúda,

Bem que seja cortesia,

Se acende na face a cor.

      Que efeitos são os que sinto?

      Serão efeitos de amor?

 

Se estou, Erislania contigo,

Não tenho um leve cuidado;

Nem me lembro, se são horas,

De levar à fonte o gado.

Se vivo de ti distante,

Ao minuto, ao breve instante,

Finge um dia o meu desgosto:

Jamais, pastora, te vejo,

Que em teu semblante composto,

Não vejo graça maior.

      Que efeitos são os que sinto?

      Serão efeitos de amor?

 

Ando já com o juízo,

Erislania, tão perturbado.

Que no mesmo aberto sulco,

Meto de novo o arado.

Aqui no centeio pego,

Noutra parte em vão o cego:

Se alguém comigo conversa,

Ou não respondo ou respondo,

Noutra causa tão diversa,

Que nexo não tem menor.

      Que efeitos são os que sinto?

      Serão efeitos de amor?

 

Se geme o bufo agoireiro,

Só mesmo a Erislania, me desvela.

Enche-se o peito de mágoa,

E não sei a causa dela.

Mal durmo Erislania, logo sonho,

Que fero leão medonho,

Te devora nos meus braços:

Gela-se o sangue nas veias,

E solto do sono os laços,

À força de imensa dor.

      Ah!... Que efeitos são os que sinto,

      Serão efeitos de amor.

 

Adelino Guimarães.

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