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ONTOLOGIA DO AMOR

05-12-2012 03:53

 

 

ONTOLOGIA DO AMOR


Tua carne, é a graça tenra dos pomares
e abre-se teu ventre de uma a outra lua;
de teus próprios seios, descem dois luares,
e desse luar vestida é que ficas nua.

Ânsia de voo em asas de ficar,
de ti mesma sou o mar e o fundo.
Praia dos seres, quem te viajar,
só naufragando, recupera o mundo.

Ritmo de céu, por quem és pergunta
de uma azul resposta que não trazes junta!...
Vitral de carne em catedral infinda.

Ter-te amor é já rezar-te, prece
de um imenso altar onde acontece,
quem no próprio corpo é céu ainda.

 

Adelino Guimarães.

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