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SABOR A MAR

05-12-2012 02:07

SABOR A MAR


Hoje estive na praia sozinho. Lembrei-me daquela vez que fomos os dois já de madrugada, lembras-te? Foi numa das primeiras vezes que saímos, acho que a terceira talvez. Tínhamos combinado um jantar entre amigos, daqueles amigos que se amam, sabes? Lembro-me como se fosse hoje. Levaste uma túnica amarela com umas alças muito finas que te faziam sobressair os ombros, parecia feita para ti. Não ficaria bem a mais ninguém. No pescoço usavas um fio muito discreto como que a marcar o sítio a partir de onde eu poderia beijar. E tanto que eu pensei nisso. Beijo? Não beijo? Bem-me-quer? Malmequer? A completar o resto, a mesma ganga de sempre, simples e confortável que ia acabar numa sandália típica de verão, prática, simples, nada daquelas coisas “trés chique” que usam as pessoas fúteis. Estavas linda, estavas tu, achei-te linda para sempre. Ainda sei o que pediste para o jantar. Uma daquelas saladas naturais típicas de ti mesma, cheias de cor e coisinhas vindas de todo o mundo. Por momentos, fiquei a olhar-te enquanto comias. Acho que nem reparaste mas naquele momento amei-te outra vez. Mais tarde, depois de horas de conversa, entrelinhas e sorrisos envergonhados, saímos do restaurante. Sítio interessante, lembras-te do nome? Decidimos passear à beira-mar, debaixo do olhar atento da lua que me piscou o olho, sem tu veres. Passeámos de mão dada, ainda hoje sinto a tua mão. Como não podia deixar de ser - não fosse eu tão distraído - molhei as calças todas e tu riste de mim, comigo, para mim. Que sorriso lindo! Acho que não reparaste mas naquele momento amei-te outra vez. Quis tanto beijar-te. Beijo? Não beijo? Bem-me-quer? Malmequer? Beijei mesmo, ainda hoje sei o teu sabor, trago-o na boca. É só o que tenho de ti. Hoje estive na praia, sozinho. Na areia escrevi “amo-te”, na esperança que alguma onda leve o meu amor até ti. Quanto ao restaurante, esse chamava-se “Sabor a mar”..

 

Adelino Guimarães.

 

 

 

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