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SOLIDÃO

05-12-2012 03:54

 

SOLIDÃO


Aproximo-me da noite,
o silêncio abre os seus panos escuros,
e as coisas escorrem
por óleo frio e espesso.

Esta deveria ser a hora
em que me recolheria
como um poente,
no bater do teu peito.
Mas a solidão,
entra pelos meus vidros
e nas suas enlutadas mãos,
solto o meu delírio.

É então que surges,
com teus passos de menina,
os teus sonhos arrumados,
como duas tranças nas tuas costas,
guiando-me por corredores infinitos,
e regressando aos espelhos,
onde a vida te encarou e eu te vi.

Mas os ruídos da noite,
trazem a sua esponja silenciosa.
E sem luz e sem tinta,
o meu sonho resigna-se.

Longe
os homens afundam-se!...
como o caju que fermenta,
e a onda da madrugada,
desmorona-se de encontro
às rochas do tempo.

 

Adelino Guimarães.

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