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05-12-2012 04:28

AMOR TOTAL.

AMOR TOTAL.


Uma troca sem censuras,

Entrega incondicional…

Convivência sem cobrança,

Baseada em confiança,

Assim é o amor total.

 

Falamos através do olhar,

Sorrimos com o coração…

Só quem é capaz de amar,

Sabe assim comunicar,

Sua íntima emoção.

 

Fonte jorrando alegria,

Cumplicidade leal…

O nosso amor é paixão,

Pilar de nossa união.

 

Adelino Guimarães.

 

 

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05-12-2012 04:26

ADEUS MALFADADO AMOR.

ADEUS MALFADADO AMOR...  


                     I

Enfim te vejo! - enfim posso,

Quando junto de ti, dizer-te,

Que já cessei de querer-te,

Apesar de quanto sofri.

 

Muito penei! Cruas ânsias,

Dos teus olhos afastado,

Houveram-me acabrunhado,

A não lembrar-me de ti!

                      II

Dum mundo a outro impelido,

Derramei os meus lamentos,

Nas surdas asas dos ventos,

Do mar do crespa cerviz!

 

Baldão, ludíbrio da sorte,

Em terra estranha, entre gente,

Que alheios males não sente,

Nem se condói do infeliz!

                      III

Louco, aflito, a saciar-me,

D'agravar minha ferida,

Tomou-me tédio da vida,

Passos da morte senti;

 

Mas quase no passo extremo,

No último arcar da esperança,

Tu me vieste à lembrança:

Quis viver mais e vivi!

                      IV

Vivi; pois Deus me guardava,

Para este lugar e hora!

Depois de tanto, senhora,

Ver-te e falar-te outra vez?!...

 

Rever-me em meu rosto amigo,

Pensar em quanto hei perdido,

E este pranto dolorido,

Deixar correr a teus pés.

                      V

Mas que tens? Não me conheces?

De mim afastas teu rosto?

Pois tanto pôde o desgosto,

Transformar o rosto meu?!...

 

Sei a aflição quanto pode,

Sei quanto ela desfigura,

E eu não vivi na ventura...

Olha-me bem, que sou eu!

                      VI

Nenhuma voz me diriges!...

Julgas-te acaso ofendida?

Deste-me amor, não a vida,

Que me darias - bem sei;

 

Mas lembrem-te aqueles feros,

Corações, que se meteram,

Entre nós; e se venceram,

Mal sabes quanto lutei!

                      VII

Oh! se lutei!... mas devera,

Expor-te em pública praça,

Como um alvo à populaça,

Um alvo aos ditérios seus!

 

Devera, podia acaso,

Com sacrifício aceitar-te,

Para ao cabo pagar-te,

Meus dias unindo aos teus?

                      VIII

Deveras, sim; mas pensava,

Que de mim t'esquecerias,

Que, sem mim, alegres dias,

T'esperavam; e em favor.

 

De minhas preces, contava,

Que o bom Deus me aceitaria,

O meu quinhão de alegria,

Pelo teu, quinhão de dor!

                      IX

Que me enganei, ora o vejo;

Nadam-te os olhos em pranto,

Arfar-te o peito, e no entanto,

Nem me podes encarar;

 

Erro foi, mas não foi crime,

Não te esqueci, eu to juro:

Sacrifiquei meu futuro,

Vida e glória por te amar!

                      X

Tudo, tudo; e na miséria,

Dum martírio prolongado,

Lento, cruel, disfarçado,

Que eu nem em ti confiei;

 

"Ela é feliz (me diziam),

"Seu descanso é obra minha."

Negou-me a sorte mesquinha...,

Perdoa, que me enganei!

                      XI

Tantos encantos me tinham,

Tanta ilusão me afagava,

De noite, quando acordava,

De dia em sonhos talvez!

 

Tudo isso agora onde pára?

Onde a ilusão dos meus sonhos?

Tantos projectos risonhos,

Todo esse engano desfez!

                      XII

Enganei-me!... - Horrendo caos,

Nessas palavras se encerra,

Quando do engano, quem erra.

Não pode voltar atrás!

 

Amarga irrisão! reflecte:

Quando eu gozar-te pudera,

Mártir quis ser, cuidei qu'era...,

E um louco fui, nada mais!

                      XIII

Louco, julguei adornar-me,

Com palmas d'alta virtude!

Que tinha eu bronco e rude,

C'om o que se chama ideal?

 

O meu eras tu, não outro;

Estava em deixar minha vida,

Correr por ti conduzida,

Pura, na ausência do mal.

                      XIV

Pensar eu que o teu destino,

Ligado ao meu, outro fora,

Pensar que te vejo agora,

Por culpa minha, infeliz;

 

Pensar que a tua ventura,

Deus eterno a fizera,

No meu caminho a pusera...

E eu! eu fui quem a não quis!

                      XV

És doutro agora, e pr'a sempre!

Eu a mísero desterro,

Volto, chorando o desespero,

Quase descrendo dos céus!

 

Dói-te de mim, pois me encontras,

Em tanta miséria posto,

Que a expressão deste desgosto,

Será um crime ante Deus?!...

                      XVI

Dói-te de mim, que t'imploro,

Perdão, a teus pés curvado;

Perdão!... de não ter usado,

Também do mal que me fizeste!

 

Perdão da minha miséria,

Da dor que me rala o peito,

E se do mal que te hei feito,

Também do mal que me fizeste!

                      XVII

Adeus qu'eu parto, senhora;

Negou-me o fado inimigo,

Passar a vida contigo,

Ter sepultura entre os meus;

 

Negou-me nesta hora extrema,

Por extrema despedida,

Ouvir-te a voz comovida,

Soluçar um breve Adeus!

                      XVIII

Lerás porém algum dia,

Meus versos d'alma arrancados,

D'amargo pranto banhados,

Com sangue escritos; - e então,

 

Confio que te comovas,

Que da minha dor tenhas piedade,

Que chores, não de saudade,

Nem de amor, - de compaixão.

 

                   XVIIII

Que Sóninha seja feliz,

Com teu Adeus sofucado!...

Mesmo por algo que não fiz,

Que p'ra sempre será malfadado!...

 

E assim se vira o fado,

Com a sogra a seu bel prazer.

Virar de novo o arado.

E p'ra sempre a infelicidade doer.

 

Adelino Guimarães.

 

 

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05-12-2012 04:25

NOSSO AMOR.

NOSSO AMOR.


Nosso amor é mar em fúria,

Que se acalma de repente…

Como brisa de Outono,

Envolve e fascina a gente…

 

Nosso amor é cavalgada,

De  amplidão nas alazões,

Colibris que revoada,

Espalhando emoção…

 

Tempestades de carícias,

Emergem de nosso amor,

Tufões de incríveis delícias,

Ondas de fértil sabor…

 

É um misto intrigante,

De potência e ternura,

De aromas multicores,

De meiguice e loucura…

 

Nosso amor é inocente,

Qual sorriso de criança,

São grilhões que nos enlaçam,

Em amarras de bonança…,

 

Cada abraço é um pedido,

O pedido, uma promessa,

De quem anseia doar-se,

De quem amar sente pressa...

Enfim….O nosso amor é assim...

 

Um viajante do tempo,

Que mescla adoravelmente,

O passado e o futuro,

Em nosso eterno presente…

 

Adelino Guimarães.

 

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05-12-2012 04:24

POEMAS ROMANTICOS.

 

 POEMAS ROMANTICOS

 

A tarde que expira,
A flor que suspira,
O canto da lira,
Da lua o clarão;


Dos mares na raia,
A luz que desmaia,
As ondas na praia,
Lambendo-lhe o chão;

Da noite a harmonia,
Melhor que a do dia,
E a viva ardentia,
Das águas do mar;


A virgem incauta,
As vozes da flauta,
E o canto do nauta
Chorando o seu lar;


Os trémulos lumes,
Da fonte os queixumes,
E os meigos perfumes,
Que solta o vergel;


As noites brilhantes,
E os coces instantes,
Dos noivos amantes,
Na lua de mel;

Do templo nas naves,
As notas suaves,
E o treino das aves,
Saudando o arrebol;


As tardes estivas,
E as rosas lascivas,
Erguendo-se altivas,
Aos raios do sol;

A gota de orvalho,
Tremendo no galho,
Do velho carvalho,
Nas folhas do ingá.


O bater do seio,
Dos bosques no meio,
O doce gorjeio,
Dalgum sabiá;

 

A órfã que chora,
A flor que se cora,
Aos raios da aurora,
No alvor da manhã;


Os sonhos eternos,
Os gozos mais ternos,
Os beijos maternos,
E as vozes de irmã;

O sino da torre,
Corpinho quem morre,
E o rio que corre,
Banhando o chorão;


O triste que vela,
Cantando à donzela,
A trova singela,
Do seu coração;

A luz da alvorada,
E a nuvem dourada,
Qual berço de fada,
Num céu todo azul;


No lago e nos brejos,
Os férvidos beijos,
E os loucos bafejos,
Das brisas do sul;

Toda essa ternura,
Que a rica natura,
Soletra e murmura,
Nos hálitos seus.


Da terra os encantos,
Das noites os prantos,
São hinos, são cantos,
Que sobem a Deus!

Os trémulos lumes,
Da veiga os perfumes,
Da fonte os queixumes,
Dos prados a flor.


Do mar a ardentia,
Da noite a harmonia,
Tudo isso é - poesia!
Tudo isso é - amor!

 

Adelino Guimarães.

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05-12-2012 04:22

MORRER CONTIGO DE AMOR.

MORRER CONTIGO DE AMOR.


Amemos! Quero de amor,

Viver no teu coração!

Sofrer e amar essa dor,

Que desmaia de paixão!

 

Na tu'alma, em teus encantos,

E na tua palidez,

E nos teus ardentes prantos,

Suspirar de languidez!

 

Quero em teus lábios beber,

Os teus amores do céu,

Quero em teu seio morrer,

No enlevo do seio teu!

 

Quero viver d'esperança,

Quero tremer e sentir!

Na tua cheirosa trança,

Quero sonhar e dormir!

 

Vem, anjo, minha donzela,

Minha'alma, meu coração!

Que noite, que noite bela!

Como é doce a vibração!

 

E entre os suspiros do vento,

Da noite ao mole frescor,

Quero viver um momento,

Morrer contigo de amor!

 

Adelino Guimarães.

 

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05-12-2012 04:21

TE AMO E COMO TE QUERO.

TE AMO E COMO TE QUERO.


Como posso revelar,

De que forma extremar,

A febre que estou sentindo?

 

Se não encontro palavra,

Se minha expressão se trava,

Ao ver o teu rosto lindo?...

 

Talvez no correr da pena,

Eu consiga uma serena,

Maneira de te falar...

 

Quem sabe a poesia,

Concretize essa magia,

No meu peito a palpitar...

 

Só sei que meu coração,

Vive imenso a emoção,

De te querer com ardor...

 

Assim, que entendas, espero,

O meu apelo sincero,

Ao declarar-te este amor...

 

Adelino Guimarães.

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05-12-2012 04:19

O QUE É SIMPATIA.

O QUE É SIMPATIA.


Simpatia  é o sentimento,

Que nasce num só momento,

Sincero, no coração;

 

São dois olhares acesos,

Bem juntos, unidos, presos,

Numa mágica atracção.

 

Simpatia - são dois galhos,

Banhados de bons orvalhos,

Nas mangueiras do jardim;

 

Bem longe às vezes nascidos,

Mas que se juntam crescidos,

E que se abraçam por fim.

 

São duas almas bem gémeas,

Que riem no mesmo riso,

Que choram nos mesmos ais;

 

São vozes de dois amantes,

Duas liras semelhantes,

Ou dois poemas iguais.

 

Simpatia - meu anjinho,

É o canto do passarinho,

É o doce aroma da flor;

 

São nuvens dum céu d'Agosto,

É o que m'inspira teu rosto...

Simpatia - é - quase amor!...

 

 Adelino Guimarães.

 

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05-12-2012 04:17

MULHER MORENA.

MULHER MORENA.


Bela e serena,

Depois de um dia de chuva,

Depois que à noite ventou,

 Tive desejos de apanhar aquela,

 Mulher morena que passou  . . .

 

Devia ter na boca rubra,

 Um gosto de uva,

Um gosto bom de vinho,

E quando ela me olhou,

Pensei na fruta madura,

Que o vento da noite derrubou,

à margem do caminho...

 

Ah! o garoto que fui!  Ah! o garoto que sou! 

Na inquietação da minha vida,

Nas voltas do meu caminho,

Sempre a vontade incontida,

De desejar as frutas do quintal vizinho!

 

Na manhã de sol bela e serena,

Depois de um dia de chuva,

Ah! o garoto que sou!

Tive desejos de apanhar aquela,

Mulher morena que passou!

 

Adelino Guimarães.

 

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05-12-2012 04:17

DE TANTO AMAR.

DE TANTO AMAR.


 Deixei de ouvir os sons do arrebol,

E o aroma das flores de apreciar,

De curtir aure os tons do pôr-do-sol,

Deixei. Por ti deixei... de tanto amar.

 

 Olvidei de tanta crença, sonhos tantos,

Que me afastei de muita paixão antiga:

Leituras, preces, meditação, seus encantos,

Além da poesia – companheira e sempre amiga...

 

  E se, de tanto amar, a tanto renunciei,

Quero crer que posso hoje, sem amarras comentar,

O sonho equivocado de que enfim eu despertei,

Sufocante, egoísta e sedutor... de tanto amar.

 

Mas, no ciclo das paixões a mover-se novamente,

É inútil prevenir-me desta vã constatação:

Que razão e emoção são um misto incoerente,

Traduzido em amor... desvario... excitação...

 

 Pois agora a consciência, prudentemente me diz,

O mesmo que o coração insiste em me revelar:

Que de novo livre estou, p’ra ser ou não ser feliz,

Ou, para mais uma vez, me esvair... de tanto amar.

 

Adelino Guimarães.

 

 

 

 

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05-12-2012 04:16

TUA SEDUÇÃO.

TUA SEDUÇÃO.


Sempre em frente, caminhante,

Segue tu, doce quimera,

Como folha esvoaçante,

A entrar pela janela.

 

O teu mundo é bem enorme,

Bem pequeno é teu pousar,

Que um vivente se conforme,

Ele tem que descansar.

 

Não lembras nossos momentos,

Quando o sol brilhava e tanto,

Não havia os tormentos,

Nem tão pouco um só pranto.

 

Quando o mar de ondas calmas,

A praia vinha beijar,

Éramos só duas almas.

Num barquinho a velejar.

 

Tudo cansa nesta vida,

Cansa até o coração,

Mesmo coisa tão querida,

É esquecida pelo chão.

 

Para o céu não ficar triste,

Para o mar não enfurecer,

O teu rumo tu seguiste,

Bem antes de o sol nascer.

 

Foi assim que tu partiste,

Como brisa de verão,

Meu mundo ficou mais triste,

SEM A TUA SEDUÇÃO.

 

Adelino Guimarães.

 

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