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05-12-2012 03:57

PENSANDO EM TI

PENSANDO EM TI 

 


Penso em ti, amada, ao me despertar,

Se estás tão longe, sem poder trocar,

Os nossos prazeres, nosso amor febril...

Fico na saudade, fico a perigo,

Ansioso estou por me encontrar contigo,

Desfrutar teu corpo, franzino mas, viril...

 

Tens cada minuto do meu pensamento,

Dedicado apenas a este sentimento,

De desejo puro, de saudade louca...

Vem matar-me a fome, saciar o anseio,

Abraçar-me forte, vem beijar meu seio,

Vem tocar-me todo com a tua boca...

 

Meu tudo és tu, minha doce amada,

Amante latina, mulher adorada,

É em teu louvor que eu canto aqui...

Este meu desejo, face à distância,

Acelera o sangue e aumenta a ânsia,

Que me excita mais, por pensar em ti...

 

Adelino Guimarães.

 

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05-12-2012 03:56

VEIO TUDO DE LONGE

 

VEIO TUDO DE LONGE


Veio tudo de longe para ser,
Uma só coisa, nupcial e magnífica.
Caminho e tenda. O mar. Livros. A indizível,
Matéria da dor. Ternura.
Cercada e repartida, pouco.
A pouco, à mesa rápida.
Dos lábios, clandestina voz baixa,
Das mãos juntas. Sobreviventes,
De invernos, dúvidas, denúncias.
E o teu sorriso honrado!... A oferta,
Duplicada e vulcânica,
Dos teus seios. Esta noite que nos pôs,
À prova. Sobre o vento e o repouso,
Do vento. E a música ainda cheia,
De muitos outros quartos. Sim, a importância,
Do teu rosto: Alvo claro deste mês,
Desmedidos, que nós somos.

Veio tudo de longe para ser,
Uma só coisa, sagrada e partilhável.

O banho comum gradual e abundante,
Dos sentidos. As faces que só tenho,
Entre o convívio doce dos teus dedos,
Sempre em férias. E a chave,
Do desejo?!... Erecta dureza doadora,
Do óleo e da viagem,
Aos lugares da origem,
E do êxtase?!... Resposta
Da terra contra a terra.

E a surpresa ensina a desvendar,
As partes mais antigas da alegria.
Dupla, densa, nadadora, nossa.

E INEXPLICÁVEL SEPARAÇÃO DOENTIA

 

Adelino Guimarães.

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05-12-2012 03:55

AMOR PERFEITO

 

AMOR PERFEITO


Eu vi o raio de sol
beijar o Outono.
Eu vi na mão dos adeuses
o anel de ouro.
Não quero dizer o dia.
Não posso dizer o dono.

Eu vi bandeiras abertas,
sobre o mar largo
e ouvi cantar as sereias.
Longe, num barco,
deixei meus olhos alegres,
trouxe meu sorriso amargo.

Bem no regaço da lua,
já não padeço.
Ai!... seja como quiseres,
Amor-Perfeito,
gostaria que ficasses,
mas, se fores, não te esqueço.

E VOU LEMBRAR-TE PARA SEMPRE.

 

Adelino Guimarães.

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05-12-2012 03:54

SOLIDÃO

 

SOLIDÃO


Aproximo-me da noite,
o silêncio abre os seus panos escuros,
e as coisas escorrem
por óleo frio e espesso.

Esta deveria ser a hora
em que me recolheria
como um poente,
no bater do teu peito.
Mas a solidão,
entra pelos meus vidros
e nas suas enlutadas mãos,
solto o meu delírio.

É então que surges,
com teus passos de menina,
os teus sonhos arrumados,
como duas tranças nas tuas costas,
guiando-me por corredores infinitos,
e regressando aos espelhos,
onde a vida te encarou e eu te vi.

Mas os ruídos da noite,
trazem a sua esponja silenciosa.
E sem luz e sem tinta,
o meu sonho resigna-se.

Longe
os homens afundam-se!...
como o caju que fermenta,
e a onda da madrugada,
desmorona-se de encontro
às rochas do tempo.

 

Adelino Guimarães.

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05-12-2012 03:53

ONTOLOGIA DO AMOR

 

 

ONTOLOGIA DO AMOR


Tua carne, é a graça tenra dos pomares
e abre-se teu ventre de uma a outra lua;
de teus próprios seios, descem dois luares,
e desse luar vestida é que ficas nua.

Ânsia de voo em asas de ficar,
de ti mesma sou o mar e o fundo.
Praia dos seres, quem te viajar,
só naufragando, recupera o mundo.

Ritmo de céu, por quem és pergunta
de uma azul resposta que não trazes junta!...
Vitral de carne em catedral infinda.

Ter-te amor é já rezar-te, prece
de um imenso altar onde acontece,
quem no próprio corpo é céu ainda.

 

Adelino Guimarães.

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05-12-2012 03:50

A DE SEMPRE, TODA ELA

 



A DE SEMPRE, TODA ELA


Se eu vos disser: «tudo abandonei»
É porque ela não é a do meu corpo,
Eu nunca me gabei,
Não é verdade,
E a bruma de fundo em que me movo,
Não sabe nunca se eu passei.

O leque da sua boca, o reflexo dos seus olhos,
Sou eu o único a falar deles,
O único a ser cingido,
Por esse espelho tão nulo em que o ar,

Circula através de mim.

 
E o ar tem um rosto, um rosto amado,
Um rosto amante, o teu rosto,
A ti que não tens nome e que os outros ignoram,
O mar diz-te: sobre mim, o céu diz-te: sobre mim,
Os astros adivinham-te, as nuvens imaginam-te,
E o sangue espalhado nos melhores momentos,
O sangue da generosidade,
Transporta-te com delícias.

Canto a grande alegria de te cantar,
A grande alegria de te ter ou te não ter,
A candura de te esperar, a inocência de te conhecer,
Ó tu que suprimes o esquecimento, a esperança e a ignorância.
Que suprimes a ausência e que me pões no mundo,
Eu canto por cantar, amo-te para cantar,
O mistério em que o amor me cria e se liberta.
Tu és pura, tu és ainda mais pura do que eu próprio.

 

Adelino Guimarães.

 

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05-12-2012 03:49

MULHER IMAGINÁRIA – PURA E BELA.

 

MULHER IMAGINÁRIA - PURA E BELA.


Se eu vos disser: «tudo abandonei»
É porque tu não és do meu corpo,
Eu nunca me gabei,
Não é verdade.
E a bruma de fundo em que me movo,
Não sabe nunca se eu passei.

O leque da sua boca, o reflexo dos seus olhos,
Sou eu o único a falar deles,
O único a ser cingido,
Por esse espelho tão nulo em que o ar circula através de mim,
E o ar tem um rosto, um rosto amado,
Um rosto amante, o teu rosto,

“DE MULHER PURA E BELA”.
A ti que não tens nome e que os outros ignoram,
O mar diz-te: sobre mim, o céu diz-te: sobre mim,
Os astros adivinham-te, as nuvens imaginam-te,
E o sangue espalhado nos melhores momentos,
O sangue da generosidade,
Transporta-te com delícias.

NO MEU PENSAMENTO.

Canto a grande alegria de te cantar,
A grande alegria de te ter ou te não ter,
A candura de te esperar, a inocência de te conhecer,
Ó tu que suprimes o esquecimento, a esperança e a ignorância,
Que suprimes a ausência e que me pões no mundo,
Eu canto por cantar, amo-te para cantar,
O mistério em que o amor me cria e se liberta.

Tu és pura, tu és ainda mais pura do que eu próprio.

TU ÉS MULHER PURA E BELA.

NA IMAGINAÇÃO DE UM HOMEM APAIXONADO.

 

Adelino Guimarães.

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05-12-2012 03:47

DESTINO TALVÊZ

 

DESTINO TALVÊZ


Tantos foram os momentos em que fomos um só. As nossas bocas se confundiam e os nossos olhares se cruzavam. Em que os nossos cheiros se perpetuavam, os braços se apertavam e os dedos se entrelaçavam.

A minha pele fazia-se da tua enquanto caía nos teus braços levado por uma força superior à da gravidade. Caídos no chão, como  anjos, já decorados em vidas passadas, num amor já vivido, num amor já sentido, e nunca perdido. Beijavas-me sem olhar, ouvir, respirar, sem parar. Muitas vezes a deixei, a minha boca contigo para que, mesmo sem mim, ainda me beijasses. Quando me abraçavas fazia-lo sem qualquer pretensão de me largares e sempre que me tocavas era com fervor. Sentia que me amavas! Não se tratava propriamente de uma escolha ou vontade mas sim de um desígnio intemporal. Destino? Talvez... Quem sabe?... Quem sabe talvez um vício do destino? Agrada-me pensar que ficarmos juntos é provar ao tempo que a soma de dois resulta em um…

 

Adelino Guimarães.

 

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05-12-2012 03:46

MOEDA DE SONHOS

 

MOEDA DE SONHOS


Por vezes sinto-me tolo por me agarrar às pequenas coisas do passado mas se não o tivesse feito hoje não teria presente e a tua foto não estaria na parede, nem o teu perfume no sítio onde o deixavas sempre…em mim. A foto foi da noite, em que saímos com um destino programado apenas pelo próprio destino. Já era hábito, lembras-te? Dizias que o nosso amor jamais nos poderia levar a um sítio onde não quiséssemos estar e eu acreditava que sim. Seguia-te com a determinação e certeza próprias dos apaixonados e fá-lo-ia pelo menos até ao fim do mundo sem fraquejar ou duvidar. Ingénuo? Talvez, se fosse essa a condição dos que amam verdadeiramente. E eu amava a cada passo. Após caminharmos um pouco, o tempo levou-nos a uma daquelas fontes onde jazem, no fundo, os corpos dos sonhos mortos de tanto casal apaixonado. Idealizados, despedaçados, amontoavam-se como que lutando por chegar à superfície para que mais uma vez fossem sonhados. Atirei uma moeda, sonhei eu também e sentámo-nos tão perto da água que consegui ouvir alguns deles “Quero-te para sempre” “Que o nosso amor nunca termine”… - Pobres desgraçados que ali perdiam o coração. Será que também ouvias? Pensei eu por momentos, a sós, para dentro. Foi então que os nossos reflexos se encontraram na água que, sem eu saber como, se tinha apoderado dos teus olhos. Acabava ali, diziam eles… e os sonhos mortos eram os meus.

 

Adelino Guimarães.

 

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05-12-2012 03:45

AO OUVIDO

AO OUVIDO 


Que o meu amor te diga ao ouvido tudo aquilo que eu não sei dizer. Que a minha sinceridade te dissipe qualquer dúvida que eu possa ter feito nascer. Que o meu coração te carregue comigo enquanto quiser viver e que a minha alma se faça de ti comigo para nenhum de nós morrer. E se assim for e se cumprir tão sincero e sonhado desejo, que a minha boca encontre em ti o único destino do meu beijo. Que os meus braços encontrem nos teus todos os restos que me faltam e que nos teus olhos me encontre eu e todos os segredos que me exaltam. E a partir daí num só ambos viveremos, como se nascidos de algo jamais divisível, pois então que nos dois nós amemos para lá do que for possível. E se nascer o dia em que não possa escrever, nem tão pouco falar, que o meu amor te diga ao ouvido tudo o que eu não sei dizer mas o quanto te soube amar.

 

Adelino Guimarães.

 

 

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